O ato da leitura

Texto: Jamille Ipiranga

Inicialmente eu folheio o livro, leio o resumo do fim e a introdução do começo. Salteio a leitura e vou para o meio. Num piscar de olhos retorno aos nomes dos capítulos. Faço um parágrafo. Sem ninguém perceber, cheiro o livro e me reporto à infância quando os vendedores de livros, de porta em porta, adentravam minha casa oferecendo coleções de Monteiro Lobato, Fernando Sabino e Jorge Amado, dentre muitos outros. E a minha mãe, Aparecida Ipiranga, professora, leitora e educadora, os comprava com imensa satisfação, adornando-os na estante da sala.

Retorno para o livro, já num estado emocional mais tranquilo e manso. Abstraio-me das preocupações cotidianas, dos ecos domésticos, das angústias do por vir, dos medos e anseios. Direciono o espírito para uma nova aventura, uma viagem, uma página em branco que já está escrita e que vou colaborar em reescrevê-la.

O portal está estabelecido, a imaginação alongada, o espírito acalmado, e desse jeito, com ânimo e humor, me deleito e preparo para o ato da leitura, abstraindo-se de mim mesma e mergulho num mundo de possibilidades, de sonhos.

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