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1997

Texto: Andreza Iris

O que se espera é que o tempo tenha mudado as pessoas, tenha refeito os lugares que sofreram com os desastres, que a humanidade tenha aprendido a respeitar e cultivar a vida alheia. Depois de 21 anos é bom que as pessoas tenham adquirido a experiência da vida, do ser e do próximo.

Sábado eu tirei um tempo para visitar a mostra “Êxodo”, de Sebastião Salgado, tempo que eu deveria ter usado somente para a diversão, mas usei também para ver o quanto a vida não mudou nada após 21 anos.

Uma das fotos me chamou atenção, fui verificar a data, a foto era de 1997, dentro de um barco, imigrantes ilegais tentavam chegar a Espanha, na esperança de uma vida nova. Os olhares voltados para o céu, não a procura de um Deus, mas com medo do homem, do homem que veio de uma imigração os mandarem de volta para um lugar sem vida.

Eu fiquei me perguntando se aquela foto realmente era daquele ano… A grande questão, era entender a distância de tempo, entre aquela foto e as que circularam pela internet em 2017. Aquela sensação de DeJavu, que a história torna a repetir, que a vida do ser humano para os seus semelhantes não é nada, que a linha imaginária de uma fronteira pode dividir a vida e a morte de uma pessoa.

Depois de ver e admirar toda exposição eu percebi, aquela foto estava lá propositalmente, estava lá para nos lembrar o horror que a humanidade é capaz, foi para que não esquecermos de que o passado está sempre presente.