A Ceasa esquecida do Governo do Ceará

Texto: Beatriz Teixeira

A Central de Abastecimento do Ceará S.A (Ceasa) foi criada no governo de César Cals e já existe há 46 anos. No Ceará existem três unidades da Ceasa: Cariri, Tianguá e, a mais movimentada, Maracanaú. Em dias de segunda e quinta, os chamados “dias de feira”, chegam a passar cerca de 25 mil pessoas por lá durante o dia, isso sem contar os empregos que são gerados de forma direta e indireta, que contabilizam mais de 20 mil empregados. Além dos lucros gerados pelas vendas de mercadorias, a arrecadação da Ceasa é composta também por contribuições obrigatórias dos donos dos estabelecimentos do local mensalmente, valores esses que são pagos para a administração da Ceasa.

A estrutura da Ceasa conta com 17 galpões de frutas, verduras, carnes, estacionamento, frios entres tantos outros. Fazem parte da área do local bancos, cartório, núcleo da Sefaz, posto de gasolina e lanchonetes, totalizando 280.000 m². De frutas à cereais a Ceasa movimenta milhões todos os dias, sendo assim uma grande fonte de renda do governo do Ceará e da população, porém um local onde há tanto dinheiro apresenta uma série de problemas, como por exemplo, trabalho infantil, prostituição e exploração de trabalho.

Trabalhadores chegam a receber R$ 5,00 para carregar um carrinho com 300 kg de bananas, ou até mesmo R$ 2,00 carregando diversas frutas, verduras e cereais até o carro de clientes, até as crianças são envolvidas nesse trabalho. A prostituição também é outro problema do local, pois na entrada da Ceasa há espécies de barraquinhas que servem de pontos para as mulheres venderem seu corpo, muitas vezes até menores de idade vendem o corpo como um produto. Tais questões passam despercebidas ao governo do Estado, pois os únicos dados liberados são em relação aos lucros que a Ceasa gera, ou seja, o local é visto como uma fonte de dinheiro e não como um ambiente repleto de problemas sociais e estruturais.

A estrutura física da Ceasa também é um problema, pois desde sua inauguração passou por poucos reparos, os galpões ainda são os mesmos, as ruas estão esburacadas, áreas de estacionamento sem demarcação, cachorros, gatos e ratos dividindo o espaço com os compradores e funcionários, porém pouco é feito a respeito dessa questão. Entretanto o lucro é mais atrativo aos olhos do Estado, causando assim um descaso com um local tão importante para o Ceará.

Fotos: Internet
Ipiranga Jamille

Ipiranga Jamille

Sou muitas, sou única, sou todos. Grata a Deus pela dádiva da vida, de ser mãe da Letícia e do Paulo Filho, de ser a amada do Paulo Franco, e curtindo, muito, me tornar jornalista...

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