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Carta dirigida à morte!

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TEXTO: Natiane Oliveira

Começo sem saber ao certo como me dirigir a você, prezada morte não pode, pois não prezo pela vossa senhoria, começo então por lhe chamar como me foi ensinado desde pequena: Apenas Morte.

Venho através dessas poucas linhas, perguntar-lhe o que tem contra mim? O que lhe fiz de tão ruim, para que você dedique boa parte de seu tempo a ceifar vidas que me são queridas? Desde antes de eu nascer, você já marcaria minha vida, avós paternos nem tive a chance de conhece-los, quantas histórias, biscoitos e cafunés de vovó você me tirou? Já não bastasse isso, no curto tempo que eu estava nessa terra, com 8 anos apenas, me tiraste vó Luzia, depois vô Manoel, mais uma vez, passou por minha vida e me arrancou a chance de ir aos domingos brincar na casa da vovó.

Agora já crescida, conformada pelas perdas, você, inconformada com minha felicidade, vem e leva meu pai, que não era o melhor pai do mundo, tudo bem, eu também não era a melhor filha, mas nós nos amávamos a nossa maneira e você não tinha o direito de tirá-lo de mim…Agora o que eu faço? Quem me levará ao altar no dia mais feliz da minha vida?

Meus filhos não vão ter o vovô rabugento, pobre papai, tão grudado a vida, não queria ir agora, mas você sempre do contra, veio e o levou, mostrando quem é que manda.

Tenho raiva de vossa senhoria, mas também muita inveja, pois tudo a que eu fui privada, agora pertence a você, minhas histórias, meus biscoitos, meus cafunés…Imagino você, sentada em seu trono, rindo dos pobres mortais, regozijando o prazer de nos ter em suas mãos, é bem verdade que mais cedo ou mais tarde, todos nos encontraremos em sua presença, um dia chegará minha vez e tomarei minhas satisfações, por hora, me sinto vingada, você já deve ter conhecido meu pai, ranzinza, reclamão, bruto…

 Sorrio sozinha, mesmo sem querer, pobre morte, a você boa sorte!

 E a papai… não pegue leve!