Coringa: uma releitura de Todd Philipps

Texto: Erico Cardoso

No último dia 3 de outubro, foi lançado o novo filme do anti-herói da DC Comics, Coringa. O longa dirigido por Todd Phillips (Cães de Guerra, 2016) conta a história de Arthur Fleck que sonha em ser um comediante famoso. A narrativa do filme consiste em mostrar os sofrimentos de Arthur, explicando, a partir daí, o desenvolvimento do personagem infame que é conhecido por todos os amantes dos quadrinhos e da sétima arte. Com o desenrolar da história, são apresentadas características marcantes do Coringa, alter ego de Fleck, como sua risada incontrolável e sua psicose com traços de sociopatia.

Segundo uma reportagem publicada pelo jornal El País, no dia 9 de outubro, uma das principais causas pelo riso descontrolado de Arthur pode ser um tumor no hipotálamo, que, combinado com seus surtos psicóticos, dão o ar de loucura tão bem representado por Joaquim Phoenix (Ela, 2013).

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GIF: Reprodução (https://forum.cinemaemcena.com.br)

Pink Floyd, em 1975, lançou o álbum Wish You Were Here, com uma das faixas chamada “Have a Cigar” (Fume um cigarro, em tradução literal) e, em um dos versos, canta “The band is just fantastic, that’s really what I think. / Oh, by the way, which one’s Pink?” (A banda é fantástica, e é isso que eu penso. / Ah, e qual de vocês é Pink?) e esse sentimento é revivido dentro do filme com o nível de desprezo gerado por parte do publico geral por Arthur. Seu trabalho é idiotificado e isso gera um sentimento de ludibriação e revolta, que, combinado com revelações familiares e pressão social, fazem com que sua personalidade mude por completo.

Na mente de Arthur, o mundo é visto de outra maneira e, agravado pelos delírios de seu possível tumor, sua vivencia e valores são deturpados e tornam-se em um sentimento de revolta contra a sociedade. Os movimentos existentes ao redor da cidade, contra o magnata dono da cidade, Thomas Wayne, foram intensificados depois de rumores que um homem fantasiado de palhaço havia assassinado dois funcionários da empresa de Wayne.

Por anos foi pisado, segregado e tratado como lixo dentro de qualquer ambiente que estivesse em contraposição do sentimento de representação que Fleck sentiu depois de ver seu rosto estampado ao redor da cidade, seja em mascaras ou pichações, fez com que sua verdadeira personalidade aflorasse.

Esses sentimentos, antes controlados pelos remédios que tomava, migraram e começaram a fazer parte de sua principal personalidade. A mudança é bastante brusca, onde, dentro do filme, é notório a intenção do diretor de que seja percebido o fim de Arthur Fleck e o início de Coringa.

Em suma, o filme apresenta uma nova visão do vilão e arqui-inimigo de Batman, com fotografia impecável e uma atuação divina de Joaquim Phoenix. Ainda está disponível nos cinemas em diversas sessões ao redor da cidade. Confira mais nos nossos stories do Instagram.

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