Eu não quero ir para a escola!

Texto: Ariely Lima

Diferente da birra, o processo de adaptação das crianças pode causar medo, e é algo que deve ser cuidado. 

 Você se lembra dos seus primeiros dias de aula? Em geral, são os dias mais difíceis, tanto para os pais, quanto para os filhos. A sensação de medo misturada com ansiedade, e curiosidade dos pais, por não saberem como serão as coisas, pode gerar um desconforto nos mesmos durante os primeiros dias de aula dos filhos. Felizmente, com o passar dos dias, os pequenos acabam se acostumando com o novo ambiente. Mas como lidar com esse processo de adaptação que muitas das vezes é doloroso para os pais e para os filhos? 

Fabíola Costa, (24), é mãe da pequena Ana Clara de 02 anos, e conta que antes mesmo de começarem as aulas, iniciou uma conversa com a filha sobre o que era a escolinha. “Disse que era um lugar onde ela iria brincar, pintar, dançar, cantar, disse que ela iria conhecer os números e cores. Falei que na escolinha tinham vários amiguinhos, e que ela faria novas amizades”, disse Fabíola. Ela também confessa estar ciente de que não seria fácil, e que pelo fato de ser bastante preocupada, poderia acabar atrapalhando esse processo de adaptação da filha.  

De acordo com Raquel Rocha, psicóloga, que trata de Transtornos de Ansiedade, Humor, Alimentares e Desenvolvimento Infantil, “o primeiro dia de aula, geralmente pode gerar medo nas crianças de 1 a 3 anos, que estão ingressando a primeira vez na escola, já que elas vão sair de um ambiente totalmente seguro e conhecido, para um ambiente novo e desconhecido, o que pode fazer a criança se sentir insegura, pois o laço afetivo dos pais nessa época, é muito forte e existe um medo de perder os pais, ou ser abandonado”, explica.

A adaptação das crianças é um processo gradual e, por esse motivo é importante que os pais acompanhem os filhos nos primeiros dias, e repassem confiança para que eles saibam que podem se sentir seguros naquele novo ambiente.

O papel da escola nesse processo de adaptação é fundamental para as crianças, como conta a pedagoga, Vera Costa, (43), “a escola é mais especificamente, a ‘professora’ da sala de aula. Ela deve acolher bem as crianças, procurando fazer com que a adaptação seja a menos dolorosa e demorada possível. Usando da paciência, compreensão e carinho que lhes podem oferecer. Mas sempre lembrando que se deve respeitar o tempo da criança”.  

“Nos primeiros dias ela chorou, mas logo em seguida a professora conseguiu contornar. Por muitas vezes, ela já saía de casa pedindo para ir nos braços, acredito que era um comportamento no qual ela sentia-se segura. A segunda semana foi ainda mais difícil, pois foi logo após o feriado de carnaval e eu acabei pedindo autorização para ficar com ela por algumas horas em sala, pois ela chorava tanto que chegava a vomitar. Tive que mudar a alimentação dela e comecei a ficar presente em sala, intermediando uma conversa e outra com ela e os coleguinhas, e logo após repassava que a mamãe precisava sair, mas que voltaria para buscar ela no fim da aula. Não está sendo um processo fácil, mas sinto que ela está mais confiante em um ambiente com a minha ausência”, disse Fabíola.

  

Foto: Internet

Diálogo 

Conforme Raquel, durante a adaptação, a criança está lidando com situações novas e desconhecidas, na qual os pais precisam facilitar para que esse processo seja o mais leve e natural possível, sempre transmitindo confiança para a criança. Conversas sobre como é a escola, são muito importantes no processo de adaptação. É interessante também que os pais parabenizem os filhos a cada conquista que eles tiverem durante a adaptação, pois eles se sentirão mais capazes de lidar com essa mudança, além de estimular a autonomia deles. 

Fabíola conta que todos os dias conversa com a filha, Ana Clara, sobre a escola. “Pergunto como foi o dia dela, que musiquinha eles cantaram, se ela pintou, desenhou, brincou, se ela gostou da aula, enfim. Também pergunto sobre os coleguinhas dela, e ela sabe os nomes de todos (risos). Apesar da correria do dia-a-dia, nem que seja no caminho da escola pra casa, eu já venho mantendo um diálogo. Em casa, eu abro o caderninho dela, e parabenizo as atividades, falo coisas do tipo: que lindo Clarinha, você está de parabéns filha”, declara. Elogiar é uma forma de incentivar e motivar as crianças, por isso, nessa fase é importante que sejam feitos elogios e demonstrações de orgulho dos filhos.

Uma observação feita pela pedagoga Vera Costa, é que a escola deve manter um contato constante com os pais, pois é uma forma de manter os pais próximos do desenvolvimento escolar dos filhos, associando o convívio da criança ao espaço escolar e ao ambiente familiar. 

Segundo a psicóloga Raquel, é muito importante que os pais não saiam escondidos após deixar os filhos na escola, pois isso pode aumentar o medo do abandono na criança. Mesmo que a criança chore, os pais devem se despedir e sair naturalmente, explicando que vão voltar para buscá-lo. Aos poucos, com o passar dos dias, a criança vai notando que isso é verdade, e que não tem porque ter medo.  

A ingressão dos filhos na escola não é um momento fácil, tanto para os pais quanto para os filhos, e é uma grande mudança na rotina dos dois. Os filhos estão acostumados com o dia-a-dia ao lado de pessoas que amam e confiam, por isso a mudança e adaptação não deve ser repentina, mas aos poucos a família vai se adequando aos novos horários. Por mais que possa parecer difícil, é muito importante que os pais saibam lidar com a situação, de forma paciente e respeitando o tempo de cada um.

Ipiranga Jamille

Ipiranga Jamille

Sou muitas, sou única, sou todos. Grata a Deus pela dádiva da vida, de ser mãe da Letícia e do Paulo Filho, de ser a amada do Paulo Franco, e curtindo, muito, me tornar jornalista...

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