JOGOS DE NÃO OXIGENAÇÃO ENTRE CRIANÇAS E JOVENS DENTRO DO CONTEXTO DAS ESCOLAS

Ao contrário do que muitos pensam, os adolescentes praticantes de jogos de não oxigenação não estão engajados em práticas suicidas

 

Foto: Reprodução / Visão Jurídica

Muitas crianças e jovens se envolvem em “brincadeiras” que impedem a respiração, vindo a se lesionar ou até chegar a óbito. O problema ocorre no mundo todo e se tornou uma questão de saúde pública em muitos países.

No Ceará, em decorrência da morte de um jovem de 16 anos por ter realizado o jogo do desmaio, foi criado o Instituto DimiCuida em 2014, que trabalha com pesquisas de estudos envolvendo profissionais ligados à educação, saúde e segurança, além de trabalho de prevenção com crianças e adolescentes.

Segundo o site do Instituto, esses jogos, que são vistos como brincadeiras entre crianças e adolescentes, consistem em cortar a passagem de ar para o cérebro, provocando o desmaio. O objetivo da prática seria a busca de uma sensação de euforia ou alucinatória. As brincadeiras abordam ainda outras formas de desafios propostas a jovens via internet ou entre amigos e grupos.

As vítimas são crianças e jovens de 4 a 20 anos, ressaltando-se que, ao contrário do que algumas pessoas pensam, os adolescentes praticantes não estão engajados em práticas suicidas.

http://www.institutodimicuida.org.br/entrevista-radio-camara-brasilia/
Fabiana Vasconcelos (Foto: Reprodução / Dimicuida)

Segundo a psicóloga Fabiana Vasconcelos, membro do Instituto DimiCuida, no Brasil há dados desde 2010, mas no instituto são reportados desde 2014. Não há dados oficiais de segurança pública porque os jogos são erroneamente tipificados como suicídios. A profissional atribui esse equívoco ao fato do Código Penal datar de 1940. Em decorrência disso, existem algumas famílias, num processo doloroso, que tentam mudar a tipificação para “morte acidental por asfixia mecânica ou química”.

Para a psicóloga Débora Andrade, do Colégio Farias Brito, as crianças e adolescentes estão sofrendo pressões e ameaças para que elas participem de jogos que atentem contra a própria vida ou a vida de seus colegas, além de uma acentuada fragilidade emocional. “As crianças e adolescentes, muitas vezes, estão órfãos de pais vivos, reflexo da correria do trabalho e de serem colocados como prioridade outros compromissos pessoais, deixando a família em segundo ou terceiro plano”, alerta a profissional.

Para evitar o envolvimento dos jovens nessas práticas, Débora sugere, a princípio, que as famílias vivam situações de trocas afetivas, presença, orientações, conversas francas e esclarecedoras sobre diversos temas como relações sociais, sexualidade, frustrações, drogas, criando dessa forma, um espaço de escuta, valorizando as falas e percepções dos filhos. A psicóloga também cita a participação em grupos de apoio a adolescentes e famílias que passaram por essa experiência, como forma de se fortificarem.

Em relação à orientação de pais e alunos, a escola que ela trabalha tem feito palestras e projetos com rodas de conversa, dinâmicas, na busca de criar um espaço de diálogo, discussão e escuta.

A Secretária Escolar Janilce Teixeira da Silva da Escola Municipal Secretário Paulo Petrola, que atende crianças do quarto ao nono ano, numa faixa etária de 9 a 15 anos, num total de 600 alunos, contou que para evitar que os jovens façam uso de práticas que atentem, de alguma forma, contra a sua vida, a escola tem feito palestras educativas, além de ter uma parceria com a Unifametro, através do apoio de profissionais da Psicologia e Farmacologia.

Além disso, os professores levam temas correlatos para as salas de aula para discutir com os estudantes. A escola tem um psicopedagogo que aborda esses temas de maneira mais aprofundada, tentando prevenir tanto a prática de jogos de não oxigenação, como automutilações e suicídios. Na ocorrência de algum fato concreto, o profissional entra em contato com a família abordando o assunto.

A secretária reconhece que os alunos das escolas públicas têm uma grande vulnerabilidade social. Boa parte dos alunos são criados pelos avós, filhos de pais adictos, separados ou com relatos sociais problemáticos, o que dificulta a orientação e prevenção de comportamentos agressivos. De qualquer forma, dentro da realidade social da escola pública, ela entende que a melhor forma de prevenção dos alunos com brincadeiras perigosas seja a família se aproximar das crianças e jovens.

https://www.lepetitpediatria.com.br/2017/06/12/crianca-e-o-adolescente-na-era-digital/
Foto: Reprodução / Le Petit

De acordo com o site Dimicuida,a postura a ser adotada por pais e educadores, é conversar com a criança, procurando saber o que está acontecendo, e percebendo qualquer mudança de comportamento, solicitar ajuda de um profissional de saúde, seja ele o pediatra ou o psicólogo. Também é recomendado construir um espaço de confiança, além do encorajamento de alternativas saudáveis para que o comportamento de risco típico da adolescência seja explorado: físicas, sociais e orientadas para a comunidade.

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