Na minha cabeça cacheada

Texto: Andreza Iris

Alguns meses atrás eu decidi assumir meus cachos, e também decidi não escrever sobre isso. Antes da transição, todos os textos que eu via sobre o assunto eram enfatizando o quanto seria necessário a mudança para a consumação da personalidade. Não me identifiquei com nenhum dos textos, para ser sincera, eu achava que era uma hipocrisia sem tamanho ditar regras sobre o cabelo de alguém, já que o próprio feminismo diz que podemos ser livres para escolher.

Para ser mais sincera ainda, eu assumi meus cachos porque o liso não fazia parte da minha personalidade, foi uma escolha independente do que eu penso, eu só cansei de passar horas no salão. Conheço pessoas maravilhosas, empoderadas, incríveis, super mulheres que usam o cabelo quimicamente tratado, sem que isso interfira na sua personalidade.

Na minha cabeça cacheada, as mulheres têm o poder de escolha, de serem lisas, cacheadas, carecas, loiras, morenas… Podem pintar o cabelo, ou não pintar, escolher ser grisalhas ou usar peruca. Na minha cabeça cacheada eu posso ser o que quiser, eu não preciso está dentro dos padrões, ou posso atender a todos os padrões e mesmo assim ser feliz. Eu não quero que as mulheres fiquem cacheadas por achar que agora é moda, quero as mulheres entendam seu corpo, sintam-se bem com a sua vida, suas escolhas. Eu quero parar de achar que eu sei o que as pessoas precisam.

Para as mulheres que ainda usam química, se você está bem com isso, se você está feliz, está satisfeita com a sua vida, se você se ama… não mude! Só mude quando for por você, por mais ninguém!

 

Vitória Uchôa (Foto: Stéfany Nobre)

 

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