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O medo de Lula e a ineficiência do PT

Foto:Diego Padgurschi

Após condenado a 12 anos e 1 mês de prisão em janeiro pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF-4), o ex-presidente Lula e sua equipe de advogados tentam vencer um recurso em trânsito no STF (Superior Tribunal Federal) para que seja barrado um eventual pedido de prisão após o julgamento em segunda instância ser colocado um ponto final sem mais recursos em qualquer outra instância da justiça.

O interessante ao acompanhar essa saga já enfadonha é nos deparar com um futuro volátil e por não sabermos no fim, qual será realmente o quadro eleitoral das disputas presidenciais deste ano, pois tudo pode mudar com qualquer que seja o candidato do PT. Já se foi o primeiro trimestre do ano e para Lula e seus seguidores só tristes notícias e nada mais. Pode parecer um pouco imprudente da pessoa que vos escreve afirmar que é pouco provável que ele venha a ser candidato neste ano de 2018, tendo em vista as decisões unânimes desfavoráveis ao petista.

A ineficiência do PT habita onde não há clima (por se dizer abertamente) em não construir um plano B de uma candidatura. É mais uma vez o partido se submetendo aos caprichos de Lula, da sua liderança partidária e sua ganância pelo poder. Desde a crise que se iniciou em 2015, até o capítulo final do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em todo esse momento o Partido dos Trabalhadores não aproveitou nenhum debate interno sequer para uma renovação de projetos, de comunicação com partidos aliados e promoção de atos sociais construtivos organizados. Enquanto isso, seguimos assistindo badernas com pouco conteúdo e na maioria das vezes atos até bem pacíficos, só que saudando Lula e protestando por razão de sua condenação por “convicção e não de provas”. O debate profundo morreu. Principalmente para aqueles dentro do PT que torcem o nariz para o grupo diretório de Lula.

O PT alimenta o medo de Lula. Não só o medo de acabar em Curitiba, mas o medo de não ter sua vaidade atendida, como também o de ver o seu poder como grande líder da esquerda se esvair ainda mais e gradativamente. Gleisi Hoffmann, eleita com o (grande) dedo de Lula, presidente nacional do PT, segue omissa a ele e seu grupo, e como já disse em bastidores “achava que teria maior autonomia”. Já não seria hora de promover encontros internos, prévias e começar estratégica e minuciosamente a construção de um novo perfil presidencial petista? Lula conseguiu fazer isso perfeitamente com Dilma, mesmo que depois tenha se tornado o desastre que se tornou (em grande maioria não por culpa dela) ou até mesmo construir uma aliança com um possível partido como o PSOL ou o PDT, que já trabalha o nome de Ciro Gomes há bastante tempo. As chances são remotas de isso acontecer por sabe que o PT gosta de protagonismo e tem um apetite insaciável e duradouro quando se trata de despachar com a caneta no Palácio do Planalto.

 

Foto: Diego Padgurschi

 

As dúvidas que restam são as seguintes: O quão disposto o PT deve seguir apostando todas as fichas na já saturada pré-candidatura de Lula? Quem será o possível candidato no lugar dele a disputar as eleições? Será mais uma vez um nome imposto por ele ou as outras correntes partidárias terão mais espaço pro debate? As respostas parecem cada vez mais perto de se desenharem.

 

Texto:

Higor Freire