Mesa Redonda: Minorias e Representatividade nos Meios de Comunicação

Texto: Andreza Íris

Na noite desta quinta-feira, 03, o Centrou Universitário – Fanor | Wyden recebeu os convidados Ari Areia, ator e jornalista, que escreve para Jornalistas Livres e atua no Outro Grupo de Teatro. Eduarda Talicy formada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará e repórter do núcleo de Cidades do jornal O Povo.  Andy Monroy Osório formado em Comunicação Social Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Ceará, pesquisador de Publicidade e Representatividade negra. Carlinhos Viana foi o terceiro deficiente visual a receber o diploma de jornalista no Estado do Ceará, trabalha na editoria de opinião do jornal O Povo, também apresenta um quadro na Rádio O POVO/CBN sobre acessibilidade. Os palestrantes ministraram a mesa redonda sobre Minorias e Representatividades com mediação da professora Julianna Formiga.  

Os candidatos abordaram assuntos como: Direitos Humanos, programas policiais, publicidade, representatividade da mulher negra nos meios de comunicação do estado, dificuldades encontradas por deficientes visuais para entrar nesse meio e a forma como a mídia trata as minorias nos seus programas de destaque.

Ari Areia começou explicando a forma como a mídia colabora para a construção de estereótipos através da construção da imagem. Falou sobre a falta de respeito aos direitos humanos que os programas policiais praticam diariamente, explicou como essa imprensa invasiva é apoiada pelo dinheiro público e mesmo assim presta um desserviço à comunidade através do seu seu sensacionalismo. Abordou a representatividade de maneira branda, como as pessoas negras, mulheres e LGBT se vêem na televisão e ajudou a entender como nós, futuros comunicadores, podemos mudar esse cenário.

Dentro do debate, Eduarda abriu uma discussão sobre cotas raciais, explicando que as cotas é uma dívida que a sociedade tem com a comunidade negra, que essa dívida está longe de ser paga e explicou como as cotas são justas e colaboram para uma mudança da comunidade. Fez algumas observações como: os números de abusos sofridos por mulheres nas redações do estado, a falta de denúncias, feminicídio, a importância de legitimar as questões utilizando seu verdadeiro nome. Lembrou da importância da mídia no caso de assassinatos da comunidade LGBT e de como estamos longe de alcançar números relevantes da representatividade, mas que o passo mais importante já foi dado.

Monroy trouxe uma perspectiva do racismo no Brasil e no Cabo-verde. Abordou a forma como os brasileiros querem negar sua cor e suas raízes. Colocou exemplos de como a publicidade no Brasil está mudando seu aspecto do que é belo. Deu exemplos das diferenças de preconceitos dos países e de como é difícil estar numa universidade sendo negro. O cenário mudou um pouco, mas ainda está longe de ser igual ou de existir equidade. Retratou como o Brasil é visto através das novelas em outros países e o quanto os estigmas são prejudiciais à forma como as pessoas nos imaginam. Dentro disso tudo, ele trouxe uma perspectiva pessoal de como a cultura brasileira pode ser racista.

Carlinhos Viana abordou o impacto da realidade para deficientes visuais nos meios de comunicação, relembrou um pouco sobre a história da deficiência e como ela foi tratada ao longo dos anos pela sociedade, citou os números de deficientes visuais que trabalham nos meios de comunicação do Brasil e alertando que até agora são 03 pessoas no país.

Depois da construção do debate com os convidados, houve a interação dos alunos e algumas dúvidas foram tiradas.

O encerramento da Semacom ocorreu na noite de  quatro de maio, no Centro Universitário UniFanor | Wyden, Campus Dunas.

Fotos: organização Semacom

Ipiranga Jamille

Ipiranga Jamille

Sou muitas, sou única, sou todos. Grata a Deus pela dádiva da vida, de ser mãe da Letícia e do Paulo Filho, de ser a amada do Paulo Franco, e curtindo, muito, me tornar jornalista...

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