Pau-de-arara

Texto: Beatriz Teixeira

Do povoado à cidade: seja para fazer compras, ir ao colégio ou trabalhar o pau-de-arara é o meio de transporte oficial de alguns cearenses.

Entre tantos aspectos que diferenciam o nordeste do sul, sudeste, norte e centro-oeste, o pau-de-arara se destaca. O caminhão em que na carroceria há um teto feito com lona e madeiras como bancos, é o veículo oficial de muitas cidades do nordeste. Mesmo sendo proibido por não estar enquadrado no código brasileiro de trânsito, o meio de transporte ainda faz viagens com pessoas, animais e frutas, juntos ou separados.

O maciço do Baturité é um dos locais no Ceará que é todo interligado por pau-de-arara, mesmo com as vans e os ônibus, ainda há quem prefira viajar nessa aventura tipicamente nordestina. O embarque funciona da seguinte forma: o passageiro sobe por uma escada suspensa na carroceria do caminhão que dá acesso aos bancos de madeira enfileirados na extensão do veículo. Durante o percurso, o único modo de se apoiar é segurando nas madeiras laterais que sustentam o teto do caminhão.

O aposentado Jacinto Dutra, 90 anos, é um dos passageiros frequentes do pau-de-arara que leva os moradores de Areias ao Centro do município de Pacoti. Ele disse que no domingo de manhã vai só comprar a comida dos gatos na feira, “o carro do Lauriano (motorista do caminhão) passa aqui buzinando, eu subo nele e só desço na cidade, quando dá meio dia, eu já tô aqui em casa”. Dutra, como é conhecido no povoado, sobe no veículo sem ajuda de ninguém, algo chamativo para quem tem 90 anos de idade.

Em algumas cidades, o veículo ainda é usado como transporte escolar, pois leva estudantes de todas as idades dos povoados mais afastados onde carros e motos não conseguem acessar, em razão da falta de asfalto ou superfície de qualidade para o trânsito. O transporte de crianças em pau-de-arara é considerado extremamente perigoso por ser um veículo aberto, que não tem a segurança de um carro, por exemplo, e que com qualquer movimento brusco feito pelo motorista, a criança pode ser arremessada para fora do caminhão.

Essa prática não é mais tão comum em Palmácia, Redenção, Guassi, Pacoti e Guaramiranga, agora os micro-ônibus levam os alunos de casa para o colégio nos municípios citados. Além do transporte de pessoas, o pau-de-arara também faz isso com animais e frutas. Um exemplo é o que ocorre no Pacoti, o proprietário do caminhão leva bananas da cidade até a Ceasa de Maracanaú, para vender as frutas, e essa venda é feita sem que as bananas sejam retiradas do caminhão: o comprador sobe no caminhão, olha como está a fruta e pede uma determinada quantidade que vai ser separada pra ele. Isso ocorre há mais de 50 anos e, atualmente, não há nenhuma ação que o faça ser diferente.

Conhecidos na cidade apenas pelo primeiro nome, Márcio e Neto, ou como os “filhos do Edmar”, os dois irmãos são proprietários de um caminhão que serve como pau-de-arara em Pacoti e também para transportar frutas para a Ceasa, em Maracanaú. Eles contam o porquê do trabalho duplo “manter um carro desses é caro, aí a gente na semana trabalha tirando as bananas e levando pra Ceasa, e no sábado e domingo, a gente vem de Santana (um pequeno distrito de Pacoti) pra Pacoti”. Não só Márcio e Neto trabalham dessa forma, mas também todos aqueles que tem um caminhão, assim podem sobreviver com o dinheiro adquiridos de tais atividades.

Mesmo sendo um veículo adaptado de forma perigosa, o pau-de-arara continua sendo um dos símbolos nordestinos que atravessou gerações e, em 2018, ainda segue como meio de transporte de moradores de alguns municípios do Ceará, também sendo meio de sobrevivência para muitas pessoas, seja como meio de transporte de pessoa ou como veículo de frete para frutas e animais.

 

Jacinto Dutra, o passageiro fiel do pau-de-arara (Foto: Beatriz Teixeira)

 

Rua da localidade de Areias, no Pacoti, percurso do pau-de-arara (Foto: Beatriz Teixeira)

3 comentários em “Pau-de-arara

  • 10 de dezembro de 2018 em 01:46
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