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Sobre a tal consciência negra 

Foto: Reuel Almeida

Por Carol de Paula 

Era uma vez um menino preto, pobre e feio. Ele sempre se perguntava porque havia nascido tão preto e tão pobre e tão feio, este último com mais veemência ainda. Ele chorava ao se olhar no espelho, tomava banho várias vezes ao dia, na esperança sem fim de que aquela água lavasse a cor que ele tanto odiava. Sua mãe, coitada, também preta, também pobre e também feia não sabia mais o que fizesse com sua pequena corujinha… Até que…

Chega. Não iremos aqui descrever mais um caso de sucesso de um certo alguém que virou alguém na vida após uma grande decisão. Não pretendemos falar mais uma vez sobre algo que já é tão batido entre os mais esclarecidos. Não nos cabe o papel de redentores de almas sofridas e injustiçadas.

Queremos sim, que quem se julga reprimido e discriminado por sua cor, olhe-se com mais amor e menos dor. Volte sua atenção para o que de mais puro existe: sua essência. Entenda que o preconceito que vem de baixo, bem de baixo, nunca poderá atingí-lo. Assim, não será o outro jamais a lhe magoar.

Porque sempre que permitimos que o outro cometa qualquer atrocidade conosco, estamos empoderando o outro. Cada vez que nos sentirmos inferiores com os julgamentos que nos são atribuídos, estaremos dizendo sim para toda e qualquer afirmação a nosso respeito. Nós estaremos nos submetendo a nossos algozes. Mas se a indiferença for a resposta, o ato do outro deixará de nos atingir. O ataque voltar-se-á contra o agressor.

E ainda assim, desfigurado e enfraquecido, maltratado pelas próprias ações, capenga, o agressor retornará. Ele sempre irá existir, porque ele faz parte da nossa existência. Ele estará aí. Nós é que não estaremos nem aí pra ele.