Subjetividade como forma de libertação: uma experiência sobre a dança

Texto: Erico Cardoso

No dia 29 de abril foi comemorado o dia mundial da dança. A professora Diva Barreto, do curso de psicologia da UniFanor|Wyden, idealizou uma aula pratica com alusão a esse dia e assim foi ministrada a oficina de expressão corporal intitulada “subjetividade em movimento: seguindo o ritmo da dança”.

A princípio, quando entrei, não pensei em participar, afinal sou mais uma pessoa que fica sentado na cadeira estudando do que sair para dançar, mas fui persuadido a participar da dança. Era isso ou ficar de fora da sala. Primeiro nós formamos uma roda, cada um contou sua experiência própria com a dança. Todos já haviam dançado em algum momento da vida, apenas eu não sabia como ou porquê dançar.

Quando chegou minha vez de se apresentar, contei que estava fora da minha zona de conforto, mas que era uma experiência diferente que estava vivendo. Muito bem recebido e com toda o respeito possível, realizamos o aquecimento que consistia basicamente em dançar ao redor da sala experimentando todos os sentimentos possíveis: o toque frio do pé no chão, os grãos de areia trazidos pelos sapatos, a forma como o pé descalço toca o chão.

Nesse primeiro momento, a experiência foi gratificante. É muito raro, na vivência de um capitalismo pós-moderno, termos tempo para descobrir o que realmente podemos fazer com nosso corpo. Não temos mais tempo para nada, mas com a dança podemos experimentar novos sentimentos.

O segundo momento foi um pouco mais desconfortável para mim. Não sou muito solto com meu corpo, tenho meus limites de como me comportar na frente de outros e até mesmo sozinho. Fiz um par, como solicitado e escutei cuidadosamente as instruções: tínhamos que dançar espelhado com nosso par ao som de “It’s a long way” de Caetano Veloso.

Meu par foi primeiro. Ela dançou, espreguiçou-se, liberou toda a energia que estava contida em seu corpo e não consegui acompanhar. Sorrimos um para o outro ao final e foi minha vez. A música começou a tocar novamente, fechei meus olhos e me deixei levar pela batida e repetições silábicas que apenas o Caetano sabe fazer. Para realizar os outros dois momentos tivemos que trocar de parceiro e a escolha era simples: feche seus olhos, abra os braços e faça dupla com a primeira pessoa que lhe tocar.

A segunda atividade resumia-se em encostar em uma determinada parte do corpo e, nessa parte, realizar um movimento. Não precisava necessariamente ser um movimento de dança elaborado, mas um que te fizesse sentir confortável. Essa tarefa foi em especial difícil para mim, porque tenho receio que as pessoas me toquem. Ao final, senti-me mais leve e confiante.

O terceiro momento foi uma dança colada. A meta era não descolar do corpo de seu parceiro em hipótese alguma. Esse desafio foi realmente difícil, porque, além de eu não ter muita experiência com dança, não gosto de tocar nas pessoas. Nós acabamos dançando forró.

A dança que nunca tinha feito parte da minha vida agora me mostrou algo que nunca havia percebido também: nós podemos nos expressar de qualquer forma e isso é o importante. A tensão que existe dentro de nós é tremenda e precisa ser colocada para fora de algum modo, muitos escolhem a dança para realizar essa ação.

Julianna Formiga

Jornalista e professora na DeVry Fanor.

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