Vamos Falar Sobre Suicídio?

Texto: Beatriz Teixeira

Falar sobre o tema é a melhor maneira de prevenir e desmistificar o Tabu. Essa ideia que não se pode falar sobre suicídio é um mito.

A ideia de dedicar a cor amarela para o suicídio é relacionada com a história de um jovem americano chamado Mike Emme, que tinha habilidades mecânicas e ao restaurar um Ford Mustang 1968, o pintou na cor amarela. Mike sofria em silêncio e acabou tirando a própria vida com o próprio carro. A família e os amigos de Mike começaram a espalhar mensagens de ajuda em cartões amarelos pela cidade. Depois disso, várias pessoas que sofriam emocionalmente em silêncio, começaram a pedir ajuda. Assim, surgiu a ideia de relacionar a cor amarela a ações de prevenção ao suicídio.

O suicídio é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), um problema de saúde pública. As estatísticas revelam números alarmantes, um dos que mais chamam a atenção é que a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo, ou seja, se contabilizarmos que o dia tem 24 horas e 86.400 segundos, cerca de 33 mil pessoas cometem o ato todos os dias. E se relacionarmos esse número com a quantidade habitantes no mundo, que é de, aproximadamente, 8 bilhões de pessoas, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), ele significa cerca de 4 a 5% da população mundial.

Mesmo diante de estatísticas alarmantes, há números motivadores em relação ao suicídio. A cada 10 mortes, 9 podem ser evitadas, ou seja, 90% dos casos. Um dos modos para evitar o suicídio é, principalmente, falar sobre ele, pois, sempre existiu o tabu de que ao falar sobre o ato, pode ser considerado uma forma de influenciar as pessoas a tirarem a própria vida.

Acerca dessa questão a psicóloga Michele Oliveira disse que “a Organização Mundial de Saúde vêm falando e buscando modos de diminuir as estatísticas, a meta da organização mundial da saúde é diminuir esses números em 10% até 2020. Dentre as estratégias de enfrentamento existem campanhas com material informativo separado para jornalistas no intuito de ajudá-los a falar sobre o tema, para a população ficar alerta aos sinais de riscos e para os profissionais da saúde. A OMS ressalta que a informação, a conscientização é o melhor caminho para prevenir e reduzir esses números. É preciso falar sobre suicídio, falar de modo consciente e sério”.

Ao contrário do que se pensa, o suicídio não é feito somente por pessoas que tem algum tipo de transtorno mental, qualquer pessoa é suscetível a cometer o ato, porém, pessoas com depressão ou que sofreram preconceito devido a orientação sexual, cor ou tipo físico, traumas físicos ou sexuais são algumas das causas mais comuns de suicídio.

Sobre os fatores de risco, a psicóloga disse que “não são somente as doenças de ordem psiquiátrica que fazem as pessoas cometerem o suicídio, até porque esses transtornos possuem tratamento. Existem também outros fatores risco para o suicídio… fatores sociais, econômicos, emocionais, preconceitos, entre outros. Nem toda pessoa que tem algum tipo de transtorno vai atentar contra a própria vida, às vezes, a pessoa com transtorno nunca nem pensou sobre isso”.

As pessoas que pensam no suicídio geralmente sofrem em silêncio, como por exemplo, Mike Emme, que ao tirar a própria vida causou espanto a todos, pois ninguém ali sabia que o garoto estava passando por problemas. Por isso, essa também é uma causa para a questão: a dificuldade em procurar ajuda, o que muitos tratam como uma acomodação da pessoa que está sofrendo.

“Às vezes, as pessoas não buscam ajuda porque não têm acesso à informação, não se trata de acomodação. É um sofrimento emocional, ou ela não entende o que está acontecendo ou realmente o sujeito que sofre não consegue pedir ajuda. E isso ainda tem relação com o preconceito, como a nossa saúde mental é tratada, por exemplo. O sujeito até pede ajuda, mas escuta como resposta que aquilo é frescura, que vai passar, enfim… por isso é tão importante falar sobre o tema para conscientizarmos a população que saúde mental deve ser cuidada também e que não é frescura”, disse Michele.

Diante de todos os fatos apresentados, fica claro a importância de ajudar pessoas que não sabem como procurar ajuda a encontrar uma forma de resolver o problema, sem que seja acabar com a própria vida. Falar é essencial para que o suicídio deixe de ser um problema de saúde pública.

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