De presidiário à empreendedor

Depois de dois anos na cadeia, Handerson deu a volta por cima e hoje tem o próprio negócio.

O cabeleireiro, comerciante e feirante Handerson do Nascimento, nasceu em Maracanaú há 30 anos atrás, vindo de família pobre e mãe solteira ele já enfrentou diversas situações ruins e soube passar por elas. Na infância era uma criança inquieta e esperta, tanto em casa como no colégio, já era conhecido pelas molecagens e brincadeiras, querido por todos por ser prestativo e sempre manter a essência de menino, até que entrou no mundo das drogas e do crime, onde a vida dele mudou completamente. 

 
A droga quase acabou com a minha vida, ela me transformou numa pessoa que roubava as coisas dos outros pra vender e comprar maconha…

 
Há dois anos investiu o seguro-desemprego e abriu uma mercearia, onde vende desde cereais a brinquedos, expandiu os negócios e hoje já é conhecido no bairro Jerreissati como o comércio que vende tudo. Recentemente se formou num curso de barbeiro, agora corta cabelos masculinos e faz barbas, montou um salão dentro da mercearia e garante o sustento da família. 

 
“ Minha família é toda comerciante, minha mãe, meu pai, meu avô, isso já tá no meu sangue, uma hora ou outra eu ia acabar abrindo um comércio, e foi isso que aconteceu há dois anos… 

 

Como foi a sua infância? 

 “Foi uma infância muito feliz, gostava de aventuras, inclusive tinha uma que eu fazia direto: adorava ir tomar banho num açude perto da minha casa, mas minha mãe não deixava, aí pra ela não saber eu ia com os meninos da rua, tomava banho de cueca e lá tinha aquelas torres de alta tensão, e quando a gente terminava o banho subia na torre e pendurava a cueca pra enxugar mais rápido e nossa mãe não saber, era muito legal…” 

 
 Quais são os momentos difíceis na sua vida?

“Tem dois momentos, o primeiro foi quando aos 17 anos passei 3 meses internado em razão de uma úlcera perfurada, onde vi a morte de perto e um milagre acontecer. O outro momento foi em 2012 quando fui preso, passei 2 anos na cadeia sendo acusado de latrocínio (roubo seguido de morte) que ocorreu em 2004 quando tinha 18 anos, nesse momento eu refleti sobre tudo o que tinha feito na vida.” 

Alguma coisa que você fez e que se arrepende? 

 
“Sem dúvida nenhuma ter entrado no mundo do crime e me tornar um usuário de drogas. Comecei fazendo pequenos roubos pra vender e usar maconha, depois fui aumentando até roubar um mercantil onde o dono reagiu e o meu grupo teve que matar ele, essa foi a causa da minha prisão 8 anos depois. Usei drogas até 2014 mas graças a Deus parei e hoje estou limpo há 3 anos.” 
 
Qual a pessoa mais importante na sua vida? 
 
“Minha mãe, ela sempre me ajudou e apoiou, mesmo fazendo coisas erradas ela sempre estava ali pra me ajudar. Ela me criou sozinha. Lavava roupas, fazia faxina, cuidava de crianças sempre para garantir o sustento dos filhos, a pessoa mais guerreira que já vi na minha vida, passou por tantas coisas e ainda está de pé e sempre disposta a fazer de tudo para os filhos.” 
 
O que te irrita mais? 
 
“Quando o flamengo perde, tanto que eu passo o dia irritado e nada dá certo. Outra coisa que me irrita é quando a minha esposa me julga demais, isso me irrita de uma forma que eu viro outra pessoa de tanta raiva que eu sinto.” 
 
Uma pessoa que se você pudesse, ela seria transportada pra outro planeta? 
 
“Michel Temer, porque é por causa de pessoas como ele que o Brasil não vai frente, que homem é esse que se acha no direito de retirar os benefícios da população sem dar uma explicação convincente ou que roubou e rouba o país e tem a cara de pau de falar em rede nacional que é inocente. Definitivamente eu apagaria ele do mundo.” 

 
 A sua frase favorita? 
 
“Porque te abates, oh minha alma, e te comoves perdendo a calma, não tenha medo em Deus espera por que bem cedo Jesus virá”, essa frase é de um hino de música evangélica, escolhi essa porque as vezes a gente se abate, perde a nossa calma e sai do nosso ser por causa de uma tristeza, e não podemos nos abater por coisas banais, temos que levantar nossa cabeça e esperar em Deus pois ele só quer o nosso bem.” 

 

Texto:

Beatriz Texeira

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