Quanto vale um sonho? Bicampeão Mundial vende jujuba no semáforo

Atleta deficiente é exemplo de vida e superação

Foto: @Marneymaxxoficial

Compre uma jujuba e ajude o atleta a participar do campeonato de jiu-jitsu. É essa frase escrita em uma cartolina de papel que o atleta Marney Max, 23 anos, faz sua luta diária. O esporte foi o caminho que o lutador encontrou para vencer o preconceito e superar a deficiência.

 Quando eu era criança, eu tinha vergonha de sair de casa, de encontrar meus amigos. Na verdade, eu me sentia excluído perante a sociedade. Mas o esporte me fortaleceu, não me abalo mais ”, afirma o atleta.

Marney Maxx nasceu com uma má formação congênita. E de acordo com o Hospital Sírio-Libanês, a lesão se forma na maior parte dos casos no primeiro trimestre de gestação e na fase embrionária, atingindo cerca de 2% dos nascidos vivos. Destes, 10% aproximadamente possuem deformidades nos membros superiores. Doce mesmo só sabor da jujuba. Todos os dias ou Bicampeão Mundial enfrenta uma das mais movimentadas avenidas de Fortaleza e rotineiramente prova o sabor amargo da desconfiança.

“Vejo várias pessoas vendendo jujubas no sinal por vender, colocam o kimono, mentindo que é para o esporte, e por isso muita gente para no sinal e me questiona, ah, é para vender? são para custear a hospedagem? e eu explico que é realmente para o campeonato, que eu sou atleta e divulgo as minhas redes sociais ”.

Foto: @Marneymaxxoficial

O atleta carrega os títulos de bicampeão mundial e tricampeão brasileiro no Muay Thai, campeão mundial e brasileiro de jiu-jitsu. Além de campeão estadual de Artes Marciais Mistas – Artes Marciais Mistas (MMA) e com a venda das guloseimas almeja conseguir custear as despesas para um dos campeonatos mais cobiçados nacionalmente. Campeonato Internacional da Primavera de Curitiba Open IBJJF Jiu-Jitsu No-Gi onde atuam homens e mulheres da categoria juvenil até o master 6.

Marney Maxx vende suas guloseimas no valor de R $ 1,00 e o valor total para financiar os custos são em torno de R$ 2.000 (dois mil reais). Se fizermos um cálculo referente aos dias que ainda falta para o evento com valor das guloseimas. Marney Maxx terá que vender aproximadamente 75 pacotinhos de jujubas todos os dias. Resultado bem diferente da realidade onde o atleta chega a vender 34 unidades e para isso disponibilizou uma vakinha virtual (http://vaka.me/727151 ), uma espécie de coleta de dinheiro por um grupo de pessoas para a realização de algo ou pagamento de uma despesa comum ou particular, procedimento totalmente online.

Quando não está vendendo seus doces sob o sol escaldante de Fortaleza, O lutador está na sua escolinha de artes macias. O projeto iniciado em 2014, a partir da solicitação de alunos da própria academia que conheciam outros jovens sem condições de manter ou pagar mensalidades.

“O projeto foi inserido em uma realidade onde faltam políticas públicas, caracterizadas por uma atenção integral à saúde e qualidade, uma educação integral de crianças, jovens e adultos; uma moradia digna com casas de alvenaria, saneamento básico, entre outras, as quais marcam a ausência de uma vida digna e cidadã ”ressalta.

Foto: @Marneymaxxoficial

Sem o apoio de patrocinadores, o projeto sobrevive de ajudas esporádicas de alguns alunos para inscrições em competições municipais e do “corte ceco filmes” para competições intermunicipais, internacionais e compras de equipamentos de treino.

“O projeto criança fora das ruas e dentro do tatame” é uma açãode cunho social, baseada na solidariedade, no apoio e no diálogo junto a cerca de 70 jovens da Barra do Ceará e proximidades, na cidade de Fortaleza (CE), que busca apoiar uma comunidade nas questões ligadas as suas lutas por melhores condições de vida, utilizando elementos de artes marciais como forma de garantir-lhes disciplina, inclusão social e saúde, dando-lhes condições de enfrentamento aos determinantes sociais e estruturais que provocam sua exclusão, para que assim se tenha cada vez mais claros os desafios que precisam ser enfrentados na sua futura vida profissional ”, explica.

Visando a Lei de Incentivo ao Esporte – Lei 11.438 / 2006 – permite que empresas e pessoas físicas invistam parte do que pagariam de Imposto de Renda em projetos esportivos aprovados pela Secretaria Especial de Esporte do Ministério da Cidadania. As empresas podem investir até 1% desse valor e as pessoas físicas, até 6% do imposto devido.

http://www.esporte.gov.br/index.php/institucional/secretaria-executiva/lei-de-incentivo-ao-esporte

https://www.hospitalsiriolibanes.org.br/sua-saude/Paginas/lesoes-congenitas-maos-tratadas-cirurgia-cedo-possivel.aspx

https://www.vakinha.com.br/o-que-e-uma-vaquinha

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