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Texto: Higor Freire

Correria para Cristo: O ascender de uma esperança

Projeto para público infantil e adolescente é liderado por Rodolfo Santiago, no bairro Nova Metrópole, em Caucaia.

Há nove anos, em 2009, nascia o projeto chamado por todos no cotidiano simplesmente por “Correria”, tendo como líder Rodolfo Santiago, 34, morador do bairro Nova Metrópole, Caucaia. De classe-média baixa, solteiro e jovem, Rodolfo quis pertencer a algo que mudasse e definisse o futuro dessas crianças que residem numa área vulnerável, propícia ao crime e às drogas.

O interesse do líder por um projeto com essa vertente não foi por um acaso, ele entende a comunidade por já viver e a sentir desde muito jovem toda a sua complexidade. Rodolfo é ex-viciado, foi dependente químico por sete anos em maconha e outros psicotrópicos quando mais novo. Tinha então uma relação conturbada entre o mundo social e o mundo do crime, buscando hoje atenuar e pacificar essas duas esferas tão movidas pela exclusão e falta de empatia.

O Projeto Correria para Cristo se situa na Avenida Contorno-Oeste, em frente a pista de skate, onde sempre acontecem atividades da ONG, no bairro Nova Metrópole, na cidade de Caucaia. Cerca de 25 crianças são atendidas diariamente pelo Correria, onde são oferecidas aulas de violão, alfabetização, estudo bíblico aplicado pelo EBEC (Ensino Bíblico de Ensino para Crianças) que ao fim do ano os alunos recebem o diploma de reconhecimento de aprendizado, lanches, e claro, aulas de skate. Todas essas aulas são ministradas por colaboração de pessoas com formação acadêmica, tudo isso tem origem de doações, mas nenhuma governamental. O ponto alugado onde está o projeto está com três meses atrasados de aluguel.

Para quem desejar colaborar de alguma forma com o andar do projeto, pode acessar a página do Facebook: fb.com/CorreriaParaCristo ou entrar em contato com Rodolfo, no telefone celular 99685-1922.

“A desigualdade nunca vai deixar de existir, porque sempre vai existir o cara que rala pra ter suas coisas e o vagabundo que não faz nada e só quer usar drogas o dia todo. Mas inserir movimentos culturais e esportivos irá unir várias pessoas no propósito comum que é viver em paz” destaca Rodolfo em entrevista, com uma personalidade e comunicação peculiar, de muita sutileza e humildade. É um homem do povo, que entende e defende causas de maneira firme, capaz de socializar muito politicamente com todos.

HF: Rodolfo, com nove anos de Correria, sabe-se que há muita alegria e decepções num projeto como esse. Qual você destacaria ser sua maior alegria como líder daquele espaço?
RS: Minha maior alegria é estar em algum lugar, e ver, (exemplo) estar no shopping e algum jovem que não conheço mais, me parar e falar que já foi do projeto e já vem me dando satisfação que está trabalhando, que está na igreja, faculdade. Tenho dois orgulhos no projeto: Henrique Muskitu, tem viajado por vários lugares do país andando de skate e ganhando várias competições, saindo nas maiores mídias de skate do Brasil, e do Bruno, que passou em engenharia na UFC (Universidade Federal do Ceará).

HF: O bairro Nova Metrópole é considerado classe-média baixa. Ao passar dos anos você percebe a pobreza das famílias aumentando? Seria uma das causas para alguns desses jovens entrarem no mundo do crime?
RS: Nova Metrópole não é um bairro tão pobre, e não é a pobreza que leva à criminalidade. A maioria dos jovens que estão nas facções tanto ativos quanto os mortos é (e eram) de famílias boas, que não falta comida em casa, nem roupa nem lazer. O motivo de eles entrarem nas drogas é falta de amor por parte dos pais e educação, cuidados com esses jovens.

HF: Como um ex-viciado em drogas e que entende os problemas de uma periferia, o que acha ser preciso para reduzir as desigualdades e a criminalidade?
RS: Para reduzir isso eu não preciso de segurança nem de polícia, nem de armas, eu preciso de educação, esporte e lazer, se o governo investisse nisso, a polícia iria trabalhar tranquila no nosso bairro, porque polícia já tem demais. A desigualdade nunca vai deixar de existir, porque sempre vai existir o cara que rala pra ter suas coisas e o vagabundo que não faz nada e só quer usar drogas o dia todo. Mas inserir movimentos culturais e esportivos irá unir várias pessoas no propósito comum que é viver em paz.

Rodolfo posicionado em frente às crianças, que são asseguradas pelo projeto com todos os itens necessários para o esporte, como tênis e capacetes. Foto: Rodolfo Santiago

HF: Você não é pai, entretanto, como é ter um projeto com tantas crianças e ser consideradas por elas um exemplo?
RS:É muito bom estar com eles , a maioria dos pais ou estão no presídio, no bar, ou abandonaram a família, e por aquele tempo em que estou com eles ensinando o que é certo ou errado é muito legal.

HF: Acha que ainda falta uma conscientização sobre a necessidade de doações às instituições de caridade?
RS: O brasileiro é uma pessoa de coração bom e sempre quer ajudar, mas com essa cultura de desvio de tudo, chamado corrupção, o coração das pessoas endureceu para ajudar o próximo, nós mesmos do Correria não temos nem conta (bancária) para receber doações, quem paga as contas do projeto sempre somos nós mesmos que fazemos parte do projeto.

HF: Pra finalizar: Correria para Cristo é o que pra você e para as crianças que integram essa unidade?
RS: Correria pra mim é uma obrigação imposta em minha vida colocada por Deus, que por mais que eu tente acabar com o projeto e descansar um pouco, bem longe do Brasil, o projeto nunca se acaba… Para as crianças é um lugar de refúgio da fome, da falta de amor, é lá onde encontram alegria por um tempo em suas vidas.

4 comentários em “Perfil | Periferia

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